Quem sou

Sou Alfredo.

Graduando em Medicina pela Universidade de Brasília, escrevo como quem registra o próprio percurso — não para fixá‑lo, mas para compreendê‑lo enquanto acontece.

Minha formação não começou na universidade. Ela começa muito antes, nos corredores de um hospital público, acompanhando minha mãe em dias longos de trabalho como técnica de enfermagem. Ali, ainda sem vocabulário para nomear o que sentia, aprendi que cuidar não é apenas um gesto técnico, mas uma forma silenciosa de responsabilidade com o outro. Foi nesse ambiente que a ideia de seguir a área da saúde deixou de ser abstrata e passou a ser possível.

Ao longo dos anos, estudar deixou de ser apenas uma exigência e tornou‑se um método. Participei da Sala de Altas Habilidades e Superdotação do CED GISNO entre 2014 e 2022, experiência que me ensinou disciplina intelectual, curiosidade e autonomia. Nesse período, conquistei medalhas em olimpíadas científicas e acadêmicas — OBQjr, OBMEP, BRICS e OBP (redação) — não como fins em si mesmas, mas como consequência natural de um interesse contínuo pelo conhecimento.

Venho de escola pública — pública de verdade — e cedo compreendi que lacunas não se superam com lamentos, mas com constância. Ainda no ensino fundamental, iniciei cursos preparatórios e o estudo de idiomas (francês e inglês), ferramentas que mais tarde se mostrariam decisivas. Houve fracassos, desvios de rota e frustrações, mas também aprendizado: cair, insistir e seguir adiante tornou‑se parte do processo.

Durante o ensino médio, atravessado por uma pandemia e por um período prolongado de isolamento, aprendi que o percurso intelectual também é atravessado pelo corpo, pela saúde mental e pelas limitações humanas. Persistir, naquele contexto, foi menos um ato de bravura e mais um compromisso silencioso com um projeto de vida.

Na universidade, passei a transitar entre diferentes espaços da formação médica. Realizei iniciação científica na área de conforto ambiental em edificações e, atualmente, desenvolvo pesquisa sobre fatores preditores de falha terapêutica no tratamento da Leishmaniose Tegumentar Americana no Hospital Universitário de Brasília. Integro ligas acadêmicas — Cirurgia Geral, Neurologia e Neurocirurgia, Gastrologia e Cirurgia do Aparelho Digestivo — e exerci funções de liderança e organização estudantil, experiências que me ensinaram tanto sobre pessoas quanto sobre estruturas.

Apesar disso, não me interesso por uma medicina reduzida a acúmulo de conteúdo ou performance técnica. O que me move é a tentativa de compreender o ser humano em sua complexidade: biológica, social, econômica e simbólica. A medicina, para mim, é uma prática atravessada por dúvida, limite e responsabilidade — nunca uma certeza absoluta.

hipocrático nasce desse lugar. Como um diário intelectual, ele não pretende ensinar nem convencer. Serve para registrar inquietações, leituras, hipóteses e contradições que surgem no encontro entre medicina, economia e vida cotidiana. Algumas ideias aqui permanecerão; outras não resistirão ao tempo. Ambas têm valor.

Escrever é, para mim, uma forma de cuidado. Com a linguagem, com os fatos e com a própria ignorância.

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